Jackie Chan
parece
distante do barulho e do caos que existe ao seu redor. A equipe
está se preparando para filmar. Marceneiros colocam de volta
partes de um balaústre que foi destruído na última
tomada, e retocam a pintura. Os cinegrafistas checam seus complexos
equipamentos, enquanto o diretor de fotografia grita com a equipe
de iluminação que está na galeria suspensa.
Vários dublês treinam uma intrincada seqüência
em câmera lenta. Parece um balé moderno estilizado.
Quando a câmera for ligada, tudo será destruído
freneticamente em segundos.
“O.k.!”, Jackie diz para ninguém
em particular. “Pronto para recomeçar!”
O monitor mostra o que acaba de ser filmado. Jackie
achou que podia melhorar. Algo que não poderia ter visto sem a
ajuda do playback do vídeo ligado diretamente a sistema de
câmera, porque além de dirigir, ele é também o
astro.
O s atores, dublês e a equipe perderam as
contas de quantas vezes Jackie os ensaiou para estes poucos
segundos de ação, mas ele repete a cena novamente como se
a primeira vez.
Como ator e diretor, Jackie parece estar em todos
os lugares, mas seu envolvimento vai mais além. O nome escrito
nas câmeras é o mesmo que aparece nas luzes e caixas de
equipamentos: Filmtech. Este nome também está escrito em
três grandes caminhões “cinemobiles”,
estacionados do lado de fora. Filmtech é a empresa de Jackie
Chan que aluga equipamentos de produção e serviços
para o cinema e produções de televisão. O
canhão de luz que faz a iluminação foi equipado com
um lastreador fornecido por outra companhia de Jackie Chan, a mesma
que fornece iluminação aos especialistas ingleses, a
Rank-Strand.
Os dublês são todos membros da
Associação de Dublês de Jackie Chan, uma mistura de
escola de dublês, agência de emprego e sociedade
beneficente. Alguns atores e figurantes foram escolhidos
através da companhia chamada Jackie’s Angels, uma
agência de talentos e modelos, criada por Jackie
Chan.
Jackie não é só um cineasta
líder da Ásia. Ele é uma indústria! Não
aconteceu do dia para a noite. Quando Jackie tinha sete anos, seus
pais mudaram-se para Hong Kong para trabalhar na embaixada
americana em Cancera. Jackie foi contratado junto com outros cem ou
mais estudantes, para a escola de ópera chinesa de Hong Kong.
Era muito diferente de La Scala. A ópera chinesa é mais
Vaudeville que Verdi; uma apresentação energética de
ginástica e artes marciais inserida num melodrama altamente
estilizado e de decibéis elevados.
Freqüentemente a escola fornecia estudantes
como dublês para filmes de Kung Fu, feitos em Hong Kong.
Jackie se esforçava para que sempre fosse escolhido. “Eu
adorava estar nos sets de filmagem”, relembra ele com
entusiasmo típico. “Eu assistia tudo, aprendia tudo.
Além disso”, diz brincando, “os escolhidos tinham
mais comida.”
Não levou muito tempo até que seu talento
natural chamasse a atenção de diretores. Logo estava
sendo chamado para fazer cenas mais importantes. Tornou-se diretor
de dublês, desenvolvendo e fazendo seqüências
inteiras de ação.
Sua imaginação e senso de timing era
evidente, mas havia algo além disso. Carisma? Perfil de astro?
Seja qual for, era uma característica que não podia ser
ignorada. Em 1976, Jackie estava demonstrando a um dublê como
uma cena de morte devia ser feita, quando o diretor reconheceu esse
“algo” e Jackie conseguiu seu primeiro papel como
ator.
Ele apareceu em mais de doze filmes nos dois anos
seguintes. Tudo ia bem, mas Jackie queria fazer mais, colocar sua
marca em um filme. Ele queria dirigir. Teve esta chance em 1980,
quando a Golden Harvest deu-lhe a direção de Young Master
no qual também atuava e foi co-autor. Desde então,
estrelou e/ou dirigiu 23 filmes e produziu dois outros: o premiado
Rouge, e Actress. Durante este tempo, reinventou completamente os
filmes de Kung Fu.
O que surgiu foi um gênero totalmente novo que
mistura ação, aventura e comédia. Talvez com uns
toques de Keaton e Chaplin, Peckinpah e Spielberg e sempre com o
eterno otimismo de Capra. Mas a visão é de Jackie Chan.
Alguns se tornaram clássicos e quebraram recordes de
bilheteria. Entre outras coisas, Jackie é franco e aberto a
críticas. Nunca perdeu sua predileção pela
honestidade com tudo e com todos, e também com ele mesmo.
Tanto como ator quanto diretor, ele é o seu mais duro
crítico.
As exigências que faz de si mesmo no set de
filmagem são iguais as de sua vida pessoal. Sempre encontra
tempo em sua agenda lotada para causas nobres. Dedica tempo,
talento e milhões a inúmeras causas beneficentes e
projetos de serviços públicos como a Cruz Vermelha, a
World Vision, a UNICEF, The Community Chest, a Children’s
Cancer Fund e a Special Olympics. Em 1987, criou a Jackie Chan
Charitable Foundation, que financia um grande número de
projetos, hospitais e bolsas de estudos.
Há outro ponto a mencionar. A
infiltração do crime organizado é um problema perene
para a indústria do entretenimento, em muitos países.
Jackie Chan conhece muito bem esses problemas. Sua postura corajosa
com relação ao assunto rendeu-lhe o respeito da
indústria e das autoridades.
Jackie está pronto.
“Silêncio!” Grita o primeiro assistente de diretor
fazendo todos se calarem”, e continua:
“Preparar .... rodando!”
“Rodando!” confirma o assistente de câmera.
Neste momento, Jackie Chan está totalmente concentrado no
trabalho.
“E.... ação!”
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